domingo, 7 de fevereiro de 2010

Encontro marcado.

Se deu assim:



Ele levou o que eu tinha nas mãos: minha identidade, meu celular e meu MP3.

Mas isso tudo me foi devolvido antes mesmo de eu entrar na minha casa, por um policial simpático e dono do sorriso que revelava os dentes mais brancos e bonitos que já vi. E essa, depois do roubo, foi outra surpresa do dia: a simpatia e a eficiência da Polícia Militar, que eu nem tinha chamado e nem pretendia chamar.



Tive que encontrar o menino da bicicleta de novo, e reconhecê-lo. Tive medo. Ele também. Nada podia ser feito. Flagrante. Ele, magrinho, cabeça baixa,virado pra parede, ao lado de um homem grande jogado no chão, machucado, fora de si e algemado.

O lugar é sujo, pesado e, talvez, necessário...o que deixa tudo mais triste ainda.



Um homem chega. Tio. Chorando as lágrimas mais desesperadas e desesperançosas da vida dele.

-O menino tem tudo. Ele tem roupas boas. A que ele tá não é dele, é trapo. A bicicleta não é dele. A mãe, que é dele, sumiu desde madrugada pra procurá-lo na favela, nas "bocas"...não voltou até agora. Não sei mais o que fazer....não sei....



Tentamos acalmar o Tio do menino. Levei água pra ele. Choramos, rimos, nos calamos e em nenhum momento nos estranhamos.



Um cara com uma câmera, escrito "THATI", rondava. Buscava imagens do menino e um depoimento meu. Foi impedido pelos policias e eu mandei ele embora dizendo que não havia nenhum porco ali pra ser exposto. Ele foi embora. Era o único porco, ganhando o dinheiro mais sujo de todas as pessoas dali.



O menino: 15 anos. Réu primário. Faz aniversário um dia depois de mim. Perdeu o pai no tráfico mas nem conheceu ele, era muito pequeno. A mãe é trabalhadora. O tio é um homem bom. A vó, sofrida e triste. A família é unida e muito honesta. Ele tem tudo.



Horas se passaram.


O Tio, sentado na cadeira. Eu, sentada na escada. Minha mãe, andando.



Fui chamada, finalmente. Assinei muitos papéis.


O Tio estava chorando. Perguntei o que houve.


Acharam a mãe do menino, irmã dele, desacordada em frente a uma "boca". Estava desmaiada, provavelmente depois de muita caminhada à procura de seu filho, e foi levada pelo SAMU. Foi
diagnosticado depressão.



Foi um dia duro pra família do menino da bicicleta.

Foi um dia duro pra mim.

Foi um dia bom pro menino, e que ele nunca mais roube a dignidade do homem bom que é seu Tio, e a saúde de sua mãe.



Meu encontro perfeito de sábado.

No dia em que, claramente, eu não fui a vítima.

No dia em que foi dada uma segunda chance.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Salvando o dia.

Essa tirinha foi a responsável pela única risada que dei hoje...








http://www.lefthandedtoons.com/251/

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

De quinta.

Hoje eu sonhei que estava grávida e tinha 3 possíveis pais (pois é.).
Quando a criança nasceu (era um menino), eu fiz um teste no meu braço (???) e o pai foi revelado: era o Marco Luque!!!!!????????????????







Bizarro.



P.S: Por quê tá na moda colocar sustenido antes de palavras-chave??Tipo #boiei. ?? Eu não aceito isso. &desculpaí.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Obs: Sei que pareço amarga, triste e melancólica nesses posts, mas queria esclarecer que estou em uma fase ótima, andando no caminho certo (seja lá o que eu isso signifique), feliz para caralho com várias evoluções na minha vida pessoal, profissional, o caralho!!O lance é que escrevo quando estou reflexiva, e não, necessariamente, triste ou desesperançosa. Aliás, estou cheia de esperanças e certezas. Estou muito tranquila e feliz, mesmo!! Esse blog é meu analista, e estou fazendo essa observação pra mim mesma porque só eu leio isso aqui. E pronto, cabô!



Antes que eu me esqueça: Camila, você anda um útero ambulante. Vontade de ser mãe é mato. Daqui 1 mês e 5 cinco dias você completa 28 anos. Quando você estava namorando essa vontade não vinha tão forte assim (pensando bem...ainda bem!). E você não pensa em hipótese alguma em produção independente. Você é independente mas não tão moderna assim. Sem mais. Ok, por hoje.





P.S: Pra quem não é eu: Não procure entender!

Rapidinha.

Hoje eu tô beem de saco cheio. De várias coisas que tô com preguiça de citar...Várias coisas mesmo.
Resolvi fazer uma lista de coisas que eu gostaria de estar fazendo agora, ao invés de estar aqui onde estou:
-Comendo pão de queijo (nunca é demais)
-Assistindo o primeiro episódio da última temporada do LOST.
-Dormindo.
-Comendo um bife à milanesa (com pão de queijo).
-Conversando com alguém interessante.
-Chorando de frente pro mar.
-Escolhendo um suco bem bizarro em algum boteco de praia. (tipo suco de alface com rúcula e lichia) pra acompanhar o pão de queijo.
-Fazendo bolo de laranja pra alguém que goste muito de bolo de laranja.
-Fumando um cigarro bem tranquila.
-Indo viajar.
-Conversando com meu pai na varanda da casa dele que eu nem conheço.
-Assistindo "Os Parlapatões".
-Conhecendo gente nova ....e legal (PELOAMORDIDEUS!)
-Fechando um trabalho onde me sinta completamente realizada (e isso não é difícil, mesmo!)
-Comprando os presentes das meninas, que deixei de comprar no Natal por pura falta de tempo e agora o dinheiro acabou.
-Fazendo as malas para a mudança de cidade.
-Entregando os presentes atrasados.
-Comprando pão de queijo no Graal.
-E outras coisas que não posso escrever porque meu irmãozinho caçula lê isso aqui de vez em quando e tem coisas que ele não precisa saber, por enquanto.

Enfim...saco cheio...mala vazia. Preciso inverter isso aí....logo.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz anos 90.

video

TLC-Waterfalls (1995)




Na época em que a MTV era um canal de música...

Na época em que bunda ainda não era a protagonista de todas as coisas...

Na época em que os efeitos especias ainda tinham um pouco de humanidade...

Na época em que ainda existia pureza e verdade no hip hop que tocava das rádios...

Na época que eu dublava no quarto...

Na época em que eu nem imaginava que ia subir em um palco pra cantar...

Na época em que conheci as pessoas que seriam meus melhores amigos pro resto da vida...

Na época em que não sabia que estava certa em algumas coisas mas muita errada na maioria delas...

Na época em que pensei que não teria peito...

Na época em que achava que tinha peito pra tudo...

Na época em que tudo era novo e tudo parecia velho...

Na época em que a palavra "nostalgia" era só uma palavra pra mim...rs



Que 2010 seja um ano realmente NOVO, nesse mundo dominado por ideias tão repetitivas e impossíveis de abraçar...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Viver pra recordar.

Engraçado como objetos, palavras, comidas, nomes, cheiros, nos fazem lembrar de momentos da nossa vida...



Por exemplo, quando penso em jaboticaba lembro da geléia que minha vó fazia e isso me remete imediatamente aos cafés da manhã de quando eu morei com ela no sítio. Eu chegava na mesa e estava tudo pronto: os pães cortados em pedacinhos com a manteiga embaixo e a geléia passada por cima, às vezes era só manteiga mas quando tinha a geléia, nossa, era muito bom...e essa lembrança me faz ser super agradecida à minha vó, pelo seu cuidado e dedicação.

Queijadinha já me traz dona Terezinha à cabeça. Ela era mãe do Dedé, que foi nosso vizinho de apartamento do prédio da Tibiriçá. Moramos lá quando eu tinha uns 14, 15 anos, época em que eu achava as pessoas ridículas, chatas e sem noção, sem saber que a mais chata e sem noção era eu, que usava roupas pretas no auge dos 50° de Ribeirão Preto. Dedé era nosso vizinho de porta e devia ter uns 21 anos na época. Era metaleiro, cabeludo e tinha amigos metaleiros e cabeludos. Eu achava ele o máximo, mas era apaixonada por seu primo Juliano e tinha uma simpatia por seu amigo Daniel, o "Urso", que era gente boa e que carregava o Paulinho nas costas fingindo ser o macaquinho do Donkey Kong. A família do Dedé era de Monte Azul e um dia fomos todos passar o fim de semana na casa da mãe dele. Foi quando experimentei a melhor queijadinha de todos os tempos, até hoje.

A cor azul me faz lembrar de uma roupinha que eu tinha quando era bem pequena, e esse conjuntinho azul turquesa me leva à Peruíbe no auge dos meus 5 de idade. Íamos eu, minha mãe e meu pai pra praia, quase sempre. E um dia acordei no quarto de praia e quis colocar essa roupa pra tomar café da manhã. Peruíbe me lembra a música "Podres Poderes" do Caetano. Estava com meu pai a caminho da praia e ela começou a tocar na rua, alto, e eu adorei. Perguntei que música era e de quem, e ele me respondeu todo orgulhoso. Até hoje é uma das únicas músicas que gosto do Caetano.

Jatobá é um fruta muito esquisita. Verde e com um gosto péssimo. No sítio da minha vó tinha um pé de jatobá e eu e a Regiane comíamos desesperadamente aquilo, só pra ver os dentes cheios daquela coisa verde. Eu fingia que estava me transformando no Hulk. Isso me faz lembrar que o sítio da minha vó fez parte quase absoluta da minha infância.

A jatobeira (nem sei como chama) ficava na parte debaixo do sítio, ao lado da piscina. Uma piscina diferente das de casa normal. Ela era grande, de cimento, sempre quase verde e tinha formato de feijão. A piscina me faz lembrar do Wando, um namorado que minha tia Marta teve que foi meu primeiro grande amor platônico. Nessa época minha tia ainda trabalhava com teatro em São Paulo e o Wando também era ator, aliás, ainda é. Ele fazia parte de um grupo chamado XPTO, que é teatro de bonecos gigantes. Toda vez que ia a São Paulo, assistia às peças do grupo que estavam em cartaz. Pra mim, aquilo tudo era muito mágico. E isso me faz lembrar o porque escolhi fazer isso pro resto da minha vida. Me faz lembrar que o Wando teve grande, senão, total influência pra essa minha escolha. Quando ele ia pro sítio, pra mim, era como estar ao lado de um grande artista (que ele era e até hoje é). Eu ganhava o dia só de vê-lo pular na piscina, com cambalhotas.

Essa piscina também me faz lembrar o tanto que meu vô era festeiro, o tanto que ele me amava e o tanto que foi triste vê-lo anos sem poder falar, sem poder andar e sem poder reclamar do barulho de manhã. O galaxy verde enoooorme , que ele cuidava tanto, e tudo o que aquele carro representava. As viagens de 7 km que duravam horas por causa das paradas para o cafezinho. A cada xícara de café , uma bala ou qualquer coisa pra mim e pro Paulinho. Pra minha vó que não era muito divertido, porque depois haja farelo de biscoito de polvilho pra tirar do banco do carro.

Piano me faz lembrar duas coisas: A primeira são as aulas de canto que eu assistia minha tia dar quando eu ia pra São Paulo. Eram hooooras de escalas. E eu assistia pacientemente tudo, não vendo a hora daquilo acabar. Só gostava quando um dos alunos cantava uma música muito bonita, que me fazia parar de divagar por uns instantes. Era uma ópera famosa que eu reconheço até hoje, mas nunca soube o nome.
A outra lembrança que tenho é da minha mãe tocando "Mercado Persa". Eu amava essa música e pedia pra ela tocar umas 367 vezes. Minha mãe tocava muito bem. Lembro dela tocando em nosso quarto, na época em que morávamos na Cesário Motta. Essa rua faz eu arrancar da minha memória os melhores e piores momentos da minha vida. Me faz lembrar do Fábio, minha primeira paixão. O menino era um peste e vivia fazendo merda, e eu achava os dentes dele, que eram totalmente pra frente, lindos. Quando ele chegava me dava vontade de me esconder e fugir, e hoje ele é casado, tem filhos e não ficou bonito como era quando criança. Essa rua me faz lembrar da minha vó. Tem uma cena dela que nunca tirei da minha cabeça. Eu devia ser bem pequena porque morávamos na Garibaldi ainda. Lembro dela linda, com um vestido preto com paetês, pronta pra sair. Muito linda e alegre, como ela sempre foi. Prefiro esquecer a época em que foi escrava de um filho doente, sociopata e dependente químico. Tenho muita mágoa guardada na Cesário Motta, mas foi quando descobri que a vida não é feita de jatobás e piscinas em forma de feijão. Foi quando minha mãe, a pessoa que mais admiro apesar de ser a que mais brigo também, me mostrou que se tá tudo uma bosta, a gente ainda tem a chance de escutar uma música no piano ou dançar com o Prince, e era o que fazíamos quando ficávamos de saco cheio do inferno que virava nossa casa quando anoitecia. Esse inferno me faz lembrar que um dia o Paulinho desapareceu no meio de uma gritaria violenta do meu tio. Procuramos ele na rua inteira, chamamos vizinhos, foi um "fuá". Achamos ele debaixo da cama, todo encolhido e morrendo de medo...foi triste e eu fiquei muito puta...Isso me faz pensar que, talvez, seja por isso que tento protegê-lo de tudo até hoje.

Meu cd do Red Hot Chilli Peppers me leva pra sétima séria de novo, porque foi nessa época que o ganhei, em uma amigo secreto da turma. Ginásio no COC. Escola estilo americano total. Tinha as bonitas, lindas e loiras, os porra-loca e os CDF's. Eu era uma cdf meio porra loca de meia tigela que paquerava o Maranhão, que era o cara mais lindo da escola e que namorava a Thaís, a mais desejada e que eu morria de inveja. Mas eu também era caidinha por um carinha cabeludo, magrinho, quietão, que usava camiseta do Iron...e isso me faz lembrar que sempre fui meio contraditória.

Sétima séria foi ano em que fumei maconha pela primeira vez. 15 anos eu tinha e estava na casa da Marília. Estávamos eu, ela e a Cy no quarto esperando os namorados delas. Fumei e achei aquilo uma merda....parecia que nada tava acontecendo até o momento em que me vi na grade da janela vendo tudo em câmera lenta, achando que tinha se passado 1 hora quando só passara 2 minutos. Os namorados delas chegaram e isso me faz lembrar que eu sempre ficava de vela.

A casa da Marília me lembra meu primeiro beijo.
Foi numa festa e um skatista lindo e sardento me beijou depois de um tempo de conversa.
Foi um dos melhores beijos da minha vida, de verdade.
Eu nunca mais o vi, meio que fugi. Uma amiga na época, a Laila, disse que ele queria me ver de novo mas eu não quis. Isso, me faz lembrar que tem coisas que eu não entendo até hoje porque fiz.


Beijo me faz lembrar umas meninas bem idiotas que conheci em Caravelas quando fui na casa do meu pai, recém mudado. Elas eram filhas de um amigo dele e eram paulistanas. Naquele tempo já idealizava São Paulo como o melhor lugar pra se morar. Nunca conheci paulistanos arrogantes, elas foram as únicas. Eu tinha 13 anos e não tinha beijado na boca (isso me lembra o quanto fui meio atrasada minha vida inteira), e elas, pelo que diziam, já tinham feito o serviço completo e falavam disso O DIA INTEIRO, e não estou exagerando. Uma tinha a mesma idade que eu e outra era dois anos mais velha. Super experientes. Na verdade eram até demais, e isso me assustou um pouco na época. Contavam histórias de amor e sexo em detalhes, e eu, pensava que nunca tinha feito nada daquilo. Não sei até que ponto tudo aquilo era verdade ou até onde elas queriam me impressionar. Na época isso me incomodou muito, hoje acho uma besteira e não me arrependo de não ter dado pra 20 carinhas com 13 anos de idade.

Essa época dos meus 13, 14 anos, me transporta pro momento em que comecei a fazer aulas de teatro no COC. Da minha descoberta de um mundo oculto até então. Lembro da Lídia com seus livros do São Cipriano. Lembro de quando tomei vinho pela primeira vez. Do Guilherme, o Barata, do Júlio, da Cyntia, da Fernanda Nagassaki que tinha uma mãe que não gostava de mim, do professor Norberto que era bom mas não sabia ensinar e que me faz lembrar da professora Norma do Objetivo de Araraquara que conseguiu que eu tirasse o primeiro e único 10 em Matemática da minha vida, e aí eu ainda tinha 11 anos . Lembro de quando vi Christiane F. e o quanto fiquei chocada.... A lista é interminável porque todos os lugares, nomes, capítulos, são interligados...

Fico pensando se daqui 20 anos o que vivo hoje será lembrado através de uma flor, de um cheiro ou de um nome, e isso me faz lembrar que quando vivi todos esses momentos não sabia que me lembraria anos depois e, muito menos, o quê ou quem me levaria a eles....E isso me faz ter certeza de que eu sou hoje uma junção de cada momento desse e de outros tantos que vivi...As lembranças são nossos álibis, que nos fazem lembrar de quem somos...Isso é história e não tem fim e "não tem vaia, não"...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O jogo.


Eu juro que não quero entrar
nessa roda de vaidades pra te procurar,
porque se te acho
é porque os lados lhe são indiferentes
e nessa ferida eu não vou tocar.

Dizem que o amor é cego
mas se lhe entrego meus olhos
sei que vai perdê-los em qualquer lugar.
E se um dia te pedir de volta
me devolverá apenas seu olhar mais vulgar.

Nesse jogo sujo e tão previsível
ainda lanço os dados das minhas mãos frias
e meus dedos fracos.
Na mesa da sorte eles dançam trêmulos
até chegar a hora de ter que parar.


E todo mundo joga,
Todo mundo blefa,
Todo mundo perde.
Todo mundo goza
Todo mundo chora
Todo mundo perde.

No jogo onde a alma é a garantia
e o amor é só uma promessa.
Em um jogo onde nada existe,
e tudo se espera.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009


Antes que Setembro acabe

quero que a primavera se cale

um instante apenas.


Pra que só a rosa fale

o quão doído é

saber que algum olhar distraído

se encantará por seu veludo vermelho,

mas o encantado sairá ferido

pois no espinho há um espelho.

Seu limite será refletido.

E no impulso de corpo traído

lançará a rosa num canto,

em qualquer canto perdido.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Eu e você.

Eu e os sonhos cansados,
marginais na estrada
da minha própria vida.

Eu e as paixões veladas,
sempre só forjadas
sem minha companhia.

Eu e as folhas em branco,
que carregam prantos
da minha ferida.

Eu e a canção passada,
sendo só tocada
em sala vazia.

Eu e minha alma mansa,
que nunca se cansa
de ser entendida

Eu e o futuro incerto,
embebedando os passos
por onde eu corria.

Eu e o silêncio morno,
contornando os cacos
que eu não queria.

Você...e o entendimento
quase sempre errado
da minha poesia.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O quebra-quebra da minha cabeça.

Frases, sentimentos, desejos, frustrações.....1,2, 3 e já:

-Tô com saudade de cantar, tá foda.

-hummm...será?

-Meu, porque você tá falando isso?

-Putz....27...

-No final do ano tô fora dessa cidade.

-Deus, me dê coragem..

-Escorpião combina com aquário?

-Acho que tô ficando assexuada!

-Dá pra falar mais alto?

-Não sei, mas não gosto dela...

-Ainda tem gente legal no mundo..

-Caralho, que merda!

-"Earth Song".

-...aí eu vou entrar no palco, começar baixinho e rasgar depois...as pessoas vão chorar...vou sair e vou embora sozinha.

-...Compraremos nosso labrador juntos.

-A solidão é necessidade pra mim.

-Vamos ver um filme?

-Tomá no cu!

-Eu amo pessoas.

-O celular tem o soneca de 10 minutos?Se não tiver, não compro!

-Quero jogar búzios.

- e com Leão??Será que combina?

-Minha única certeza é Deus!

-Um dia vou dar um soco em alguém!

-Bom dia!

-...do Professor Linguiça!!

-vixi..

-hã?

-Putz, essa eu vou fingir que não escutei ou que não entendi....

-O quê?

-O que ele quis dizer??

-Minha tartagura morreu comida por formigas....mas as formigas que mataram minha tartaruga?Dúvida.

-O Saci.

-A Gorda.

-O Beta.

-Sashimi.

-São Paulo.

-Bahia.

-Pai.

-Filtro Solar.

-Librianos são chatos demais, não dá!

-Boa noite...

-Boa noite.

-Eu o conheço mais do que ele pensa.

-Bolo de fubá. 4 ovos?

-Hoje eu pego o e-xa-to momento em que fico inconsciente pra entrar no primeiro estágio do sono...

-Eu falei isso alto?

-Tô quieta.

- Eu crio mundos paralelos.

-Meu nome tem 2 notas musicais...As sílabas são 3, forma um acorde...e isso não quer dizer nada.

-Gêmeos não é um signo legal!

-Acho que penso coisas infantis demais, preciso tentar entender a Bolsa de Valores...

-hummm...

-Do que é que eu tenho medo?

-...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O homem preto e branco.

Acabei de ler um texto e resolvi postar aqui, porque esse espaço é meu e coloco o que eu quiser HAHAHAHAHAHAHA (risada "Dona Álvara").



E, sim, ainda estou chocada, obcecada, transtornada, embasbacada, revoltada, indignada e mais um pouco com a morte inesperada do artista querido, idolatrado, branco, preto, salve salve Jackson, e vou escrever o tanto que eu quiser dele porque quem manda aqui sou eu HAHAHAHAHAHAHAHA (de novo).....


O lance é que o Arnaldo Antunes é um fofo, e agora tirei a prova de que aquela calça pescador com a meia aparecendo foi mesmo inspirado em Michael, ou não, sei lá....
O fato é que enquanto as pessoas jogavam pedras no moonwalker, ele pensou e escreveu isso...





Riquezas são diferenças


Folha de São Paulo, 07/01/92
Arnaldo Antunes


Muita estupidez e preconceito se têm lido nas páginas dos jornais, seja na opinião dos próprios jornalistas, seja na declaração de pessoas do meio artístico musical, tendo por objeto a cor da pele de Michael Jackson.
Não quero falar aqui da sua música, que continua exercendo o caminho natural de sua genialidade; nem do espaço poderoso que ela ocupa no mundo todo. Quero falar da clareza de Michael Jackson. Mesmo que para isso eu tenha de aceitar a condição da imprensa em geral, que tomou essa questão como um escudo para não comentar com o devido respeito seu último disco.
Michael Jackson teve a pele negra. Ficou mulato em Thriller, clareou mais em Bad e agora aparece completamente branco em Dangerous. O mal-estar que isso vem causando é assustador, nessa beirada do ano 2000. Que ele "negou a sua raça", "se corrompeu", "virou um monstro", entre ofensas piores.
O pior ataque dessa onda se leu numa matéria assinada por Sérgio Sá Leitão, na seção denominada "Fique por dentro" (?), no Folhateen de 9/12/91, que, além de desprezar sem nenhum fundamento Dangerous ("O fundamental em Michael Jackson já não é mais a música — como o era na época de Thriller, seu álbum-emblema") e lamentar a mudança de cor enquanto perda de identidade ("Com sua identidade diluída, falta também a Michael Jackson a legitimidade indispensável a qualquer astro da cultura pop"), começa (na manchete) e termina (na conclusão da matéria) com uma frase de efeito de uma agressividade despropositada: "Michael Jackson é o eunuco do pop". Tendo-se em conta a potência que ele representa, não apenas em seu som, mas também como fenômeno de massas no planeta, tal inversão só pode ser interpretada como fruto de ódio. Parece a indignação de um membro da Ku Klux Klan defendendo a pureza racial ameaçada por esse branco que não nasceu branco.
Brancos sempre puderam parecer mulatos, bronzear-se ao sol ou em lâmpadas específicas para esse fim, fazer permanente para endurecer os cabelos. Tudo isso visto com naturalidade e simpatia. Tatuagem, que é uma técnica predominantemente usada por brancos, pode. Até mesmo aquela caricatura do Al Johnson era vista com graça. Agora, o negro Michael Jackson entregar seu corpo à transcendência da barreira racial desperta revolta, reações de protesto e aversão.
O espaço da ficção é permissivo. Todo mundo acha bacana Raul Seixas haver cantado "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante", ou haver existido uma banda chamada "Mutantes". Há um consenso na aceitação da promiscuidade racial de Macunaíma, como traço característico de nossa identidade antropológica. Agora, quando adentramos o campo da vida real as máscaras moralistas, racistas, preservacionistas da estagnação se mostram, contra a liberdade individual de se fazer o que quiser da própria pele.
É que Michael Jackson é um Macunaíma ao avesso. Se o anti-herói de Mário de Andrade faz de si a parábola da gênese das diferenças raciais no espaço ficcional, Michael Jackson representa, em carne e osso, a abolição dessas fronteiras. Mas parece que, mais de cem anos depois, o Brasil ainda não está preparado para aceitar a Abolição.
Os negros que estão condenando a mutação de Michael Jackson, insinuando ser ela fruto de inveja de uma suposta condição dos brancos, acabam na verdade chegando a um veredito semelhante ao do racismo branco que diz: "Como esse negro se atreve a usar a minha cor em sua pele?" Michael Jackson continua cantando com o mesmo swing de quando tinha a pele preta, e dançando cada vez mais lindamente aquela dança que influenciou milhares de negros no mundo inteiro. Ele ostenta a pele clara como quem diz "eu posso". E canta: "I'm not going to spend my life being a color". E faz de seu corpo a prova de que a questão racial vai muito além da cor da pele.
O corpo é para usar. O corpo é para ser usado. Michael Jackson está colocando seu corpo a serviço de um tempo em que a pessoa valha antes das raças, e o planeta antes das nações. Não se trata de extinguir as diferenças, mas de fundar radicalmente a possibilidade de trânsito entre elas. A miscigenação que se fez aqui (nesse país onde todos somos um pouco mulatos ou mamelucos), diacronicamente, durante séculos, faz-se sincronicamente nele.
Michael Jackson é preto e é branco. Não fala em nome de uma raça ou casta, mas encarna em si a diferença. Não é mais americano porque é do mundo todo ("Protection/for gangs, clubs,/ and nations/ causing grief in/ human relations/ It's a turf war/ On a global scale/ I'd rather hear both sides/ of the tale", canta em Black or White). O incômodo está justamente nesse exercício de liberdade. Ele não precisa explicar nada. As respostas estão todas na sua cara. Ou naquelas caras tão diferentes se transformando umas nas outras, no clip de Black or White.
"...Eu me tomo as estrelas e a lua. Eu me tomo o amante e o amado. Eu me tomo o vencedor e o vencido. Eu me tomo o senhor e o escravo. Eu me tomo o cantor e a canção. Eu me tomo o conhecedor e o conhecido... Eu continuo dançando... e dançando... e dançando, até que haja apenas... a dança" (Michael Jackson, em The Dance).

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O homem branco e preto.





Ele se foi dia vinte e cinco de junho, mas só agora tô conseguindo (mal e porcamente) escrever algo sobre isso, porque só agora tive força e o mínimo de raciocínio pra juntar algumas palavras sem que fossem tão indignadas, revoltadas, tristes e desconexas....então...that is it....










O comum e o normal nunca mudaram nada no mundo!









O que via em Michael Jackson era uma luz que não cabia nele e que nem ele soube lidar. Um talento raro, não só na música, mas o talento de mover o mundo, o talento de fazer milhares de pessoas chorarem só com sua presença. Era o que eu sentia, era o que acreditava.
Sempre preferi acreditar no artista que me arrebatou milhões de vezes com sua música do que na maioria que o julgou, o condenou e aos poucos o matou.
A morte dele me despedaçou muito mais do que eu mesma esperava... talvez porque nunca pensei na possibilidade disso acontecer um dia.
Ele deixou sua música e sua dança como herança pra humanidade e foi aproveitar melhor companhia.




E a nós, resta ficar aqui nesse mundo cada vez mais sem graça, mais comum...esperando nossa hora de o ver dançar na lua!!







Descanse, pela primeira vez, em paz!

sábado, 18 de abril de 2009

Elogio à loucura.


Em um mundo "perfeito", andamos cada vez mais tortos para esconder a única coisa que deveria ser revelada: a nossa loucura.


Porque o brilho dos olhos de um louco ofusca os opacos...

Porque a verdade que sai da boca de um louco derruba os vazios...

Porque as perguntas feitas por um louco não podem ser respondidas sem que a loucura do outro seja revelada...

Porque não aprendemos a dizer a verdade sem parecermos loucos...


E, por isso, todos guardam sua loucura em um sorriso secreto sem saber que bonitos são aqueles que riem sem segredo.


Mas nos proibíram de rir.

Nos proibíram de pensar.

Nos proibíram de dizer a verdade.

Nos proibíram de ser bonitos.......



...................................................nos proibíram de ser loucos.




terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

rá tim bum.




Quando somos crianças procuramos segurança nos adultos, acreditando que eles sabem como nos proteger.




Crescemos um pouquinho ainda acreditando que podem nos ensinar muitas coisas, porque sempre diziam que as experiências que passamos ao longo da vida nos é de grande valia...




Quando ficamos grandes e acumulamos certo conhecimento sobre a vida, temos a certeza de que não sabemos porra nenhuma, que as crianças é que estão certas...e que nossos pais que procuravam uma resposta segura em nossos olhos infantis, como se soubéssemos de algo que não poderíamos falar......



A verdade é que fé é coisa de gente grande...criança não precisa disso...elas já sabem.

domingo, 4 de janeiro de 2009

dois mil e nove.

Há dois meses atrás senti uma sensação ruim .
Acontece que ando buscando muitas coisas na minha vida e estou indo atrás de verdade, porque dessa vez tenho planos, coisa que nunca ousei fazer, sei lá por quê.
Essa sensação esquisita veio no final do ano. Na verdade não era esquisita, era ruim, bem ruim. Uma agonia que não sabia de onde vinha. Um medo que não tinha precedentes claros.
Tirei uma conclusão mais estranha ainda: Eu tive certeza durante dois meses que eu morreria no último dia do ano!
Tudo que acontecia de bom me trazia uma certa angústia por achar que talvez seria a última vez.
O última dia do ano foi chegando e minha certeza aumentava.....até já ouvia os comentários no dia do meu velório e as tulipas na coroa de flores....
Eu orei...orei demais....e ás vezes permitia que Deus aliviasse minha alma....mas só ás vezes.
Comecei a me conformar com minha condição fúnebre...apesar de não ter conseguido mudar nada nessa merda de mundo, de não ter cantado as músicas que queria ter cantado, de não ter conhecido o cara que amasse meu cabelo na hora que acordo e que visse filmes psicológicos comigos, regados por coca-cola, bis e whisky...
Dia 31 chegou e eu tinha que viajar na estrada de Minas....perfeito e óbvio....viajando pra cantar na estrada de Minas que não tem uma porra de pedágio e que é conhecida pelo seu péssimo estado......além do mais, estava chovendo.....
Fiquei observando as pessoas que entravam no ônibus: crianças, pais, mães, um senhor com chapéu velho....Será que todas elas morreriam comigo???
A notícia do canal local já estava pronta na minha cabeça:

" Ônibus capota na estrada BR sei lá o quê, com destino a Passos. O veículo escorregou na pista por causa da chuva. Ainda não foram divulgados os nomes dos mortos e feridos. Voltamos já, com mais notícias."

Eu estaria entre os mortos.

Chegamos em nosso destino.
Não morri.
Talvez fosse na viagem de volta ou até seria eletrocutada pelo microfone....
Viramos o ano....ainda não tinha morrido...apesar de ter desejado que um meteoro entrasse naquele salão na hora que cantei....foi minha pior apresentação, com as piores músicas, minhas piores migués nas letras pois tirei tudo nas coxas e ainda insisti em confiar nos meus olhos míopes, ou seja, não conseguia ler porra nenhuma de onde eu estava....
Acabou. Foi péssimo mas foi....não fui eletrocutada...
Agora só faltava a volta.
Entramos no ônibus e chegamos em casa. Foi a viagem mais rápida da minha vida.
Não morri. Consegui chegar em 2009 sã e salva...

É...não é chegada minha hora......
A sensação estranha talvez tenha sido uma premonição de mudança sim, mas não a morte....uma mais difícil: a vida.



terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Respeito: passe adiante!

Recebi esse e-mail, mal terminei de ler e já tô postando aqui. Vou abrir essa exceção, deixando de lado minhas divagações e dando espaço à ciência. É uma bela troca!!hahaha

(Fer, obrigada por ter mandado!The post office is here!!Amo você, sistaa!)


TESE DE MESTRADO NA USP por um PSICÓLOGO

'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'


'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da 'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social. Plínio Delphino, Diário de São Paulo. O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: 'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz. No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca.. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar. O que você sentiu na pele, trabalhando como gari? Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado. E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou? Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão. E quando você volta para casa, para seu mundo real? Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'. pesquisador.

*Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida! Respeito: passe adiante!


Jose Roberto Jabor Lab. Controle de Qualidade FCFRP/USP

sábado, 29 de novembro de 2008

Jill Scott-Hate on me

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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Cadê o acento da minha ideia??

Tá ridículo.
Não tô tendo nada de interessante pra escrever, além de estar com preguiça de consultar as mudanças ortográficas pra escrever um texto sem erros, estes que não existiriam há dois meses atrás.
Só sei decor que tiraram o acento da ideia e achei uma sacanagem....deve ser por isso que não tô conseguindo ter nenhuma decente ultimamente.
O acento devia ser o lance, a lampadinha, sei lá. Ele dava um ar de "EUREKA"!!
Antes nós tínhamos uma IDÉÉÉIA, hoje temos uma ideia.
Tirando o acento da ideia, tiraram também meus momentos de assento de poeira cerebral (Nossa, foi péssimo isso!!)
Tá vendo???Culpa dessa ideia sem graça, sem personalidade, sem seu piercing, sem seu ACENTOOOOO!!!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Ser: Humano.

QUE PORRA É ESSA?









Indignação: Postada.



terça-feira, 4 de novembro de 2008

Sentido.

Pat Metheny - Above the treetops

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Cuidado pra não abrir demais os olhos, pois as coisas podem parecer muito frias e sem sabor.

Temos que conhecer a verdade e as misérias do mundo sem nos tornarmos parte delas.

Cuidado pra não abrir demais os olhos.

Sinta a dor, mas não toda ela.

As lágrimas do mundo podem deixar seus olhos comprometidos, por isso...não os abra demais.

Guarde na alma um pouquinho de sonho e de fé. Assim, Deus poderá curá-la e finalmente poderemos abrir totalmente nossos olhos.

Enquanto isso...não os abra demais.





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